O pânico que chega do nada e parece que vai te matar
Coração disparado, falta de ar, formigamento, a certeza de que vai morrer ou enlouquecer. O ataque de pânico assusta como poucas coisas. O que acontece no seu corpo, por que ele passa, e o que trata.

Uma pessoa estava no mercado quando o coração disparou do nada. Faltou o ar, as mãos formigaram, o chão pareceu inclinar, e veio a certeza absoluta de que ia morrer ali, no corredor das frutas. Correu pro pronto-socorro. Os exames deram tudo normal. O médico disse uma palavra que ela custou a aceitar: pânico.
Quem nunca teve não imagina o tamanho do susto. Quem já teve sabe que não dá pra só relaxar. O ataque de pânico é uma das experiências mais assustadoras que existem. E, ao mesmo tempo, uma das mais tratáveis.
O que está acontecendo no seu corpo
O pânico é um alarme. O mesmo sistema que prepararia o seu corpo pra correr de um perigo real dispara sem perigo nenhum à vista. O coração acelera, a respiração fica curta, o corpo se arma pra uma fuga que não vem. Você respira rápido demais, e só isso já causa tontura, formigamento e aquele aperto no peito.
Os sintomas são reais. Dá pra senti-los no corpo todo. Só que são fogos de um alarme falso, não o anúncio de uma tragédia. E ataques assim são mais comuns do que se imagina, inclusive em quem nunca teve outro problema.
O medo do medo
Você sente o coração disparar e pensa que vai ter um infarto. Esse pensamento assusta mais, o medo aumenta os sintomas, os sintomas parecem confirmar a catástrofe, e a roda acelera. O pânico se alimenta da interpretação que você faz dele.
O ataque não vem do batimento acelerado. Vem do terror de que aquele batimento signifique o fim.
Por isso entender o que está acontecendo já desarma parte do ciclo. Quando o disparo deixa de ser lido como morte, ele perde força.
Por que fugir piora
Depois de uma crise, é natural começar a evitar: o lugar onde aconteceu, o shopping, o ônibus, ficar longe de casa. Evitar traz alívio na hora e ensina a lição errada, a de que você escapou de um perigo. O mundo vai encolhendo pra caber no que não dá medo, e é assim que o pânico vira uma prisão.
Cada lugar que você evita por medo do pânico é um pedaço de vida que o pânico leva.
Assusta, mas não é perigoso
Por mais aterrorizante que seja, o ataque de pânico não causa infarto, não enlouquece e não mata. O ataque é autolimitado: sobe, chega ao pico e cede. O corpo não consegue sustentar aquele estado por muito tempo.
Vai uma ressalva importante: na primeira vez, ou diante de uma dor no peito que você não conhece, procure um médico pra descartar uma causa do coração. O pânico imita um infarto tão bem que vale checar, e se os sintomas mudarem de cara com o tempo, vale checar de novo. Com o coração confirmado em ordem, o caminho passa a ser outro.
Tem tratamento, e dos bons
O transtorno do pânico está entre os que melhor respondem a tratamento. A terapia cognitivo-comportamental tem resultado muito bom: ensina a reler as sensações sem terror e a se reaproximar, aos poucos, do que se evita, até o alarme parar de tocar à toa. Há também medicamentos que ajudam, com orientação médica. Você não precisa conviver com isso pra sempre. A onda passa, e dá pra aprender a não ter medo dela.
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