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A mente que não desliga e rouba o seu sono

Você apaga a luz e a cabeça liga: o "e se", a cena que se repete, a lista de tudo que pode dar errado. Por que a mente não desliga, o que alimenta o ciclo, e o que ajuda a baixar o volume.

Capa do texto: A mente que não desliga e rouba o seu sono

Tem um tipo de paciente que descreve a hora de dormir como o pior momento do dia. Apaga a luz, encosta a cabeça no travesseiro, e a mente liga. Revê a conversa do trabalho procurando o que falou de errado, ensaia o dia seguinte, calcula tudo que pode dar errado com os filhos, com o dinheiro, com a saúde. Uma hora depois, ainda de olhos abertos, exausta e sem ter resolvido nada.

Se a sua cabeça também não desliga, você sabe do que estou falando. Não dá trégua. É como ter alguém gritando preocupações no seu ouvido bem na hora em que você mais precisava de silêncio.

Preocupar é humano. Isso aqui é outra coisa

Todo mundo se preocupa, e às vezes a preocupação até ajuda a se organizar. O problema é quando ela vira moradora fixa: excessiva, sobre tudo ao mesmo tempo, difícil de controlar, mês após mês. Aí ela trabalha contra você, e rouba o sono, o sossego e a paz de espírito. Só um profissional pode dizer se é um quadro de ansiedade, então não saia se diagnosticando. Mas se você se reconhece nisso, vale entender o que está acontecendo por dentro.

A cabeça acha que está te protegendo

Por mais que pareça sem sentido, a sua mente se preocupa achando que faz isso por você. Lá no fundo mora a crença de que, se você pensar em tudo que pode dar errado, vai estar preparada, nada vai te pegar de surpresa, e que preocupar é até um jeito de cuidar de quem ama. É essa promessa secreta que mantém o motor ligado. Você se apega à preocupação porque acredita que largar dela seria irresponsabilidade.

O problema é não suportar o "não sei"

No centro de tudo costuma estar uma dificuldade enorme de conviver com a incerteza. Você quer ter certeza de que vai dar tudo certo, e a única forma que encontrou de buscar isso é remoendo o assunto de todos os ângulos. Só que a vida não oferece esse tipo de segurança, sobre nada. Então a procura não termina nunca, e a preocupação vai junto, sem fim à vista.

A preocupação promete a certeza que vai te acalmar, e é justamente a certeza que ela nunca consegue entregar.

A ilusão de que pensar resolve

A preocupação engana porque dá a sensação de que você está fazendo alguma coisa. Mas não está. É só a cabeça girando em palavras, fugindo de sentir de verdade o que assusta. E quase nunca a catástrofe ensaiada chega: num estudo com pessoas de ansiedade intensa, mais de nove em cada dez preocupações previstas simplesmente não se realizaram. E mesmo as que acontecem costumam ser mais suportáveis do que a mente pintou. Quando algo dá errado de verdade, ter sofrido por antecipação não deixou ninguém nem um pouco mais pronto.

O corpo paga a conta

Uma mente que não para mantém o corpo num estado de tensão que cansa. Os músculos vivem travados, o sono não vem ou não descansa, a paciência encurta, a concentração escapa. A preocupação não causa doença por conta própria, mas viver assim cobra um preço real no corpo, dia após dia. O cansaço de quem pensa demais é de verdade, ainda que ninguém veja.

Você acorda tão cansada quanto deitou, porque a sua cabeça trabalhou a noite toda sem você.

Reaprender a conviver com a própria cabeça

Esvaziar a mente não é o objetivo, e nem dá. O que muda a vida é a sua relação com os pensamentos. Na terapia, a pessoa treina a tolerar a incerteza em vez de fugir dela, põe em dúvida a ideia de que preocupar protege, aprende a reservar um horário curto pra preocupação no lugar de carregá-la o dia inteiro, e vai trazendo a atenção de volta pro presente. Esse caminho ajuda muita gente, e tem boa pesquisa por trás dele. Quando o remédio entra na conta, a decisão é do médico. A sua mente não está quebrada. É um alarme que ficou preso no ligado, e alarme a gente reaprende a regular.

Fontes

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Este conteúdo é informativo e não substitui acompanhamento profissional. Se você está em sofrimento, procurar ajuda é um ato de coragem.

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